DEFESAS
RESUMO

 

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RESUMO

 

Flávio Cristina Silva Barbosa

flaviafcsb@gmail.com

                                           

As manifestações de rua no contexto atual fermentam uma vasta produção de discursos, ligados essencialmente ao campo político, direta ou indiretamente. Isso se deve, em grande parte, ao fato de que, nas mobilizações de rua, as três instâncias – cidadã, política e midiática – se encontram no movimento de sentidos sobre as decisões políticas. Neste ínterim, a instância midiática tradicional, como discurso legitimado em sociedade (e Aparelho Ideológico de Estado), passa a mediar os (des)encontros entre as outras duas instâncias, a política e a cidadã, sem escapar do ritual de linguagem, que falha, desloca e ressignifica sentidos. Por isso, a instância cidadã, como principal massa das manifestações de rua, ganha destaque importante na discursivização midiática. O objeto desta pesquisa, então, concentra-se em investigar, pelo viés discursivo, como a participação social é compreendida no âmbito midiático, visto que a rua é o cenário onde sujeitos se colocam à interpretação de seus espaços, vozes, significações de suas posições-sujeito, como partes integrantes do conjunto sócio-político atual. Para mobilizar esta análise, é estabelecida uma ponte entre três áreas de conhecimento: texto e discurso, a partir das contribuições de Pêcheux (1990; 1995; 1997; 1994; 2013); Orlandi (2001; 2003; 2007); e Charaudeau (2006a; 2006b); ciências políticas e sociais, com suporte principalmente em Gohn (2007; 2009; 2011; 2015); e sobre jornalismo, que tem como referencial autores como Correia (1998); e Souza (2001), a fim de compreender um arquivo temático constituído por notícias e reportagens, em sua versão impressa, disponíveis em acervo digital, dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, quando ambos noticiaram três manifestações de rua: em junho de 2013 e nos dias 13 e 15 de março de 2015. A justificativa para esta pesquisa concentra-se em questionar dizeres sobre a (não) participação do sujeito brasileiro nas questões políticas e nas decisões coletivas em prol de um espaço harmônico de direitos e deveres. Tais representações são provenientes, inclusive, do discurso midiático tradicional, que sustenta um efeito de verdade quanto à validação ou não do engajamento político/social, mesmo que do ponto de vista da estabilidade. Dito isto, para atender ao objetivo central proposto de pesquisar os sentidos sobre a atual instância cidadã na grande mídia tradicional, é necessário: a) compreender sujeitos e instituições envolvidos nas manifestações, considerando a forma como são discursivizados pela grande mídia e como esse fenômeno se materializa no âmbito linguístico; b) compreender, discursivamente, as relações entre os movimentos sociais/políticos e a instância política no Brasil; c)  entender o funcionamento e o papel da mídia tradicional impressa na sociedade atual, posta frente à interferência capitalista nos modos de (in)formação e na maneira de fazer significar a instância cidadã; d) analisar o discurso midiático sobre o manifestante enquanto sujeito político (politizado) pela (não) interferência midiática ou (a)partidária, observando os processos de constituição e significação desses sujeitos, submetidos aos paradigmas de classificação política (esquerda x direita). Após transitar entre teorias, discursos e sentidos, os resultados mostram um funcionamento semelhante nos jornais tomados para a análise, visto que os sentidos têm como eixo comum a presença e a ausência: presença/ausência de violência, de filiação partidária, de líderes, e da internet como espaço democrático para a promoção e divulgação dos atos. Em termos de discurso, os sujeitos integrantes das manifestações de 2013 são significados como o mau sujeito, principalmente pela defesa do apartidarismo e da violência, enquanto que, nas de 2015, dos dias 13 e 15, os sujeitos participantes são significados de acordo com o partido que aparentemente se filiam em termos ideológicos. Contudo, as manifestações do dia 15 de março funcionam, no discurso da mídia, como o modelo ideal de manifestação e de sujeitos manifestantes, ou seja, o bom sujeito.

 

Palavras-chave: Análise de Discurso. Mídia tradicional impressa. Manifestações. Democracia

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