DEFESAS
RESUMO

 

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MOVIMENTOS IDENTITÁRIOS E POLÍTICAS DE INCLUSÃO NA MÍDIA:
A (D)EFICIÊNCIA EM TELA

Érica Danielle Silva

erica_dsilv@yahoo.com.br

 

Esta pesquisa privilegia a constituição identitária do sujeito com deficiência nas práticas discursivas midiáticas na contemporaneidade, visto a crescente regularidade na veiculação de produtos cuja temática versam sobre políticas inclusivas de pessoas com deficiência. Nesse campo de batalha entre diferentes posições, esses sujeitos trazem em sua constituição relações sócio-históricas e econômicas que fazem de sua identidade um efeito, uma construção que escapa à mera caracterização biológica. Nas malhas do saber-poder, essas práticas discursivas encontram na mídia condições de possibilidade para serem exercidas, uma vez que os mecanismos e estratégias de identificação podem apagar, transformar e consolidar ideais modelares de sujeitos, possibilitando sua governamentalização. As identidades representadas e veiculadas na mídia por meio da linguagem verbal, visual e sonora se submetem à ordem do discurso, articulando o que pode e deve ser dito no conjunto de condições de seu aparecimento (FOUCAULT, 2007, p. 9). Nesse domínio, a circulação de enunciados na mídia é perpassada por procedimentos de controle, e a deficiência é espetacularizada na medida em que é veiculada, discutida e explicada com frequência. A mídia pode ser considerada, assim, como superfície de emergência de enunciados que retomam, deslocam e ressignificam sentidos sobre o corpo deficiente. Pautados nessas relações, estabelecemos como objetivo compreender como a governamentalidade, inscrita nas práticas discursivas da mídia televisiva, nas relações entre saber-poder e saber, e verdade, possibilita o funcionamento da normalização do deficiente como resistência à exclusão. Sob tal conjuntura, no entrecruzamento da história com a memória, nosso movimento teórico-analítico se alicerça nos estudos da Análise de Discurso de linha francesa. Recorremos também aos princípios da Semiótica peirceana para subsidiar a prática de leitura da linguagem visual e midiática e ainda aos estudos culturais que tratam da identidade. A abordagem arqueogenealógica desenvolvida por Foucault é o guia para nossas análises, que são norteadas pelos seguintes conceitos-chaves: governamentalidade, normação/normalização, saber, poder, verdade, arquivo, identidade, enunciado e função enunciativa. Esse aporte teórico permitiu a organização de materialidades midiáticas televisivas, veiculadas entre 2006 a 2009, em um arquivo, sistematizado em três grupos, a partir dos quais é possível compreender o modo como o sujeito deficiente é representado: a) a naturalização da deficiência; b) as resistências à inclusão, pelas práticas de preconceito; e c) a superação das pessoas com deficiência, que vencem barreiras físicas e sociais. Nesse sentido, esperamos que este trabalho possa contribuir com pesquisas, tanto no campo da Análise do Discurso quanto no da Educação, na medida em que aponta caminhos para a desconstrução de evidências de sentido da representação e de práticas inclusivas das pessoas com deficiência. Além disso, acreditamos que este trabalho tenha relevância enquanto subsídio para a leitura de textos imagéticos, dada a escassez de bibliografia específica nessa área de conhecimento. Mediante tais considerações, buscamos, por meio de gestos de leitura, dispensar um olhar ímpar, e, a partir daí, desenvolver um movimento descritivo-interpretativo arqueogenealógico que não tem a pretensão de esgotar as possibilidades de análise, já que, inserido no movimento do discurso, o arquivo permanece para outras abordagens.

 

Palavras-chave: governamentalidade; mídia; corpo deficiente.