DEFESAS
RESUMO

 

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MÍDIA E ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1994 A 2010: O FUNCIONAMENTO DO IMAGINÁRIO NA FOLHA DE S. PAULO ACERCA DA CORRUPÇÃO NO PT

 

Douglas Zampar

douglaszampar@gmail.com

 

Resumo: As eleições presidenciais, em seu funcionamento midiático discursivo, são o objeto de nosso trabalho. Observamos o conjunto de enunciados produzidos ao longo do período eleitoral, e a forma como produzem efeitos de sentido. Para tanto, na presente dissertação, tomamos a interface mídia e política e elegemos para construção de nosso corpus o jornal Folha de S.Paulo. Problematizamos o imaginário acerca da corrupção no Partido dos Trabalhadores (PT) que funciona na Folha de S.Paulo e se constitui historicamente ao longo de diversas eleições. Nossa hipótese é a de que existem deslocamentos na forma como a corrupção é discursivizada nas duas últimas eleições quando comparadas com as demais. Diante do que foi exposto, propomos como objetivo geral de nossa pesquisa verificar a manutenção e os deslizamentos do imaginário na Folha de S.Paulo acerca da corrupção no PT em eleições presidenciais. Para tanto, nossos objetivos específicos são: a) analisar enunciados que constituem redes de sentido que atravessam uma ou mais eleições, verificando deslocamentos, retomadas e apagamentos que funcionam na produção de efeitos de sentido; b) observar a constituição histórica dos sentidos sobre corrupção e PT ao longo de coberturas de diferentes eleições presidenciais pela Folha de S.Paulo, discutindo os modos como a memória discursiva constitui Formações Imaginárias. A partir de uma base teórica sustentada na Análise do Discurso (AD), especialmente nas reflexões produzidas em torno do pensamento de Michel Pêcheux, operamos um batimento constante entre o dispositivo teórico analítico construído ao longo da pesquisa e o corpus eleito para nossa análise. Erigimos nossa pesquisa em torno de cinco eleições presidenciais (1994, 1998, 2002, 2006 e 2010), as quais compõem nosso corpus. Os questionamentos que nos movem se orientam em torno do funcionamento da Formação Imaginária, ou seja, os sentidos sobre o que é a corrupção no PT que atravessam a produção de efeitos de sentidos durante as campanhas. Para tanto, trabalhamos com o conceito de memória discursiva, a qual compreendemos como um processo por meio do qual os enunciados produzem efeitos de sentido a partir de sua remissão a uma rede, de forma que o sentido seja atravessado por enunciados outros que trazem consigo as condições de produção nas quais emergiram. Dessa forma, compreendemos o enunciado em sua espessura histórica. Nossa pesquisa mostra, ao longo das cinco eleições estudadas, um imaginário acerca da corrupção como característica da política nacional, transcendendo partidos político. A forma como a os sentidos acerca da corrupção se constituem é constituída por deslocamentos, de forma que a corrupção é tomada enquanto desrespeito às leis nas eleições de 1994 e 1998, como prática imoral nas eleições 2002 e como prática imoral e antiética nas eleições 2006 e 2010. O imaginário acerca da corrupção no PT se constitui a partir de 1994 e 1998 em torno da questão do uso da máquina pública, e nas eleições 2002 pela inserção de sentidos acerca da moral. Nas eleições 2006 e 2010, demonstramos um deslocamento na forma como a corrupção no PT é abordada, pois esse imaginário passa a funcionar em torno dos escândalos de corrupção.

 

Palavras chave: corrupção; Partido dos Trabalhadores; Formação Imaginária; Folha de S.Paulo