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RESUMO

 

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A PAISAGEM DE LISBOA NA INFÂNCIA DE PESSOA: DA “MINHA INFÂNCIA AO PÉ DO RIO” À “INFÂNCIA PAVOROSAMENTE PERDIDA”

 

Aline Carla Dalmutt

 adalmutt@yahoo.com.br

 

Lisboa sempre se manifestou de modo emotivo aos olhos e sentidos de Fernando Pessoa, por ter vivido a sua primeira infância na capital portuguesa. A cidade, dotada de uma série de encantamentos, é Pessoa e Pessoa é Lisboa, na qual as vivências mais profundas do poeta encontram ressonância. O engenheiro Álvaro de Campos foi a invenção mais íntima de Pessoa, na qual o poeta “fingidor” depositou todo o seu sentir. E a missão desse heterônimo se constitui em “Sentir tudo de tôdas as maneiras”. De fato, Campos é o Pessoa mais intenso, mais instigante, mais picante e com mais relevo. Teve o papel de viver os males de Pessoa e de libertá-los. Por isso, era em Campos que Pessoa, mais do que em sua própria voz, revivia frequentemente e com mais ênfase as paisagens da sua infância “pavorosamente perdida”, isto é, a paisagem de Lisboa, da “casa antiga”, do “Tejo”, das ruas, entre outras. O objetivo desta dissertação é comprovar como a Lisboa do final do século XIX e início do XX foi representada, além de compreender a relação entre a trajetória biográfica de Álvaro de Campos e as sensações contraídas da paisagem de Lisboa, ora a paisagem moderna, inquieta e desumana, ora a paisagem da infância, simbólica e idealizada.  De caráter bibliográfico, o trabalho será fundamentado nos conceitos de paisagem/imagem propostos por Michel Collot, Alfredo Bosi, Gaston Bachelard, Antonio Candido, entre outros. O corpus contempla desde Opiário, escrito antes das grandes Odes sensacionistas, aos conhecidos “poemas confessionais”, em que o poeta tenta desesperadamente recuperar o estado idílico de sua infância perdida. Impossibilidade que traz uma galeria de imagens que recorrem ao cenário da cidade de Lisboa, onde Pessoa nasceu, viveu/sentiu e morreu.

 

Palavras-chave: Interrelação Pessoa/Campos/Lisboa; Paisagem; Infância.